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Artigo publicado na coluna Ponto de Vista do Jornal Lourdes – edição de setembro/2018

Perdi recentemente um amigo, que lutou bravamente durante oito anos contra um tumor cerebral. Faz um mês que fui visitá-lo. Tomamos um café juntos e falamos sobre igreja, política e sobre a efemeridade da vida e a fragilidade das relações. Naquele dia, ele já estava com bastante dificuldades de visão e de locomoção. Tomou o café, guiado pela sua esposa, parceira de muitos anos, amiga, companheira.

No fundo no fundo, esse meu já sabia que a sua vida estava chegando ao fim, depois de uma longa batalha contra este tumor terrível que se alojou na sua cabeça. Ainda quando eu trabalhava na Rádio, convidei este meu amigo para ir inúmeras vezes aos programas que eu apresentava para relatar o seu drama e a sua luta contra o tumor. Era uma forma de encorajar quem ouvisse a enfrentar seus dilemas pessoais com a mesma determinação dele. Ele sempre aceitava o convite e dava verdadeiras lições de vida, sempre deixando como palavra final o ensinamento de que devemos lutar pela vida, agradecer cada momento, não nos entregarmos nunca.

Ao vê-lo ali, no seu velório, veio-me cada uma das suas palavras de coragem e fiquei pensando que eu, e tantas outras pessoas, não temos nenhum problema de saúde, e mesmo assim agradecemos tão pouco e reclamamos um bocado de vezes de coisas tão simples.

O café que eu tomei com o meu amigo recentemente, foi o nosso último contato. E ali, refletimos como são poucos os amigos nos momentos de uma doença, mas como são verdadeiros alguns que se apresentam nestas horas, nem que seja para um simples café num sábado a tarde para falar sobre coisas banais.

Ando perdendo meus amigos, pessoas com as quais convivi na escola, na adolescência, ou em algum momento na minha vida. E estas perdas, tem sido cada vez mais doloridas.

Estou aqui mais uma vez escrevendo sobre este sentimento que se apodera de mim quando vejo pessoas próximas partirem. Fico sempre refletindo sobre o óbvio: que a vida é breve, e que devemos aproveitar cada momento como se fosse o último.

Chorei de novo a perda de um amigo e meu dia foi triste, mas sei que devemos todos reagir, lutar contra a maré, enfrentar as dificuldades, e sermos gratos por tudo, mas tudo mesmo.

A vida é um sopro e isso eu aprendo a cada dia!

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